Depoimentos

Depoimento do professor Aloysio Afonso Rocha Vieira

Quando me perguntam sobre minha relação com a UNIMONTES costumo falar que ela começa em 1985, quando iniciei minha graduação em Ciências Econômicas na então Faculdade de Administração e Finanças – FADEC, vinculada à Fundação Norte Mineira de Ensino Superior – FUNM, que seis anos depois se transformaria na Universidade Estadual de Montes Claros, nossa UNIMONTES. Na verdade, ela começa anos antes, quando ainda moleque, ficava observando meu Tio Jair Soares Rocha, para nós simplesmente “Rochinha”, que ficava horas a fio estudando Estatística junto com seu colega de faculdade, Afonso Maia. Quando minha avó vinha pedir silêncio nas nossas brincadeiras no quintal para não atrapalhar o estudo dos dois eu perguntava: “Vó, o que é faculdade? Por quê tem que estudar tanto?” Não esperava resposta. Voltava para minhas brincadeiras de menino de 10 anos pensando: “Um dia, farei faculdade”!

Uma relação que começa meio que por acidente. Meu desejo era estudar na UFMG, fazer o curso de Ciências da Computação, um dos mais novos do Brasil, 60 candidatos por vaga. Mais difícil do que ele só tinha o vestibular do ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Não sei se por um capricho do destino, no ano em que fiz o vestibular (1983) foi descoberta uma fraude e o mesmo foi anulado. Para um filho de pai operário, mãe professora e com mais quatro irmãos, a chance de estudar e morar na Capital foi embora, cabendo então voltar para a terrinha natal.

De volta, consigo um emprego de escriturário no antigo Banco Real, graças a um curso de datilografia que tinha feito e que me qualificava a alcançar 170 batidas por minuto – situação perfeita para operar o Telex da agência. Enquanto isso, estudava em casa para não perder a prática, me preparando então para tentar o vestibular na FUNM em 1984. O desejo era fazer história mas acabei fazendo economia. Aqui, retomando a influência positiva da infância na casa de meus avós.

Começo então minha vida acadêmica em 1985, como aluno do Curso de Ciências Econômicas da FADEC. Nos dois primeiros anos, trabalhando das 8:00 às 18:00, frequentando aulas das 19:00 às 22:40, estudando após chegar em casa até enquanto o corpo aguentava. Quase desisti. Achei que não era para mim. E o início do curso, o que menos tinha era a economia propriamente dita. Disciplinas já conhecidas como matemática, português, educação física; e outras diferentes, mas que não eram da Economia – direito, contabilidade, sociologia… Pensei em desistir. Mais uma vez a referência familiar da infância, tio Rochinha, que agora também era um dos mais conceituados economistas da cidade e professor do curso me pede para esperar o segundo ano. Se não mudasse ele mesmo me falaria para desistir e mudar de área. E assim o fiz. Passei a descobrir a Ciência Econômica e fiz uma escolha já no ano seguinte que mudaria de vez minha vida: decidi que também seria um Economista de fato!

Porquê esta decisão mudou de vez minha vida e com ela a minha relação com a UNIMONTES, à época, ainda FADEC/FUNM? Abro mão de meu emprego estável de bancário que já tinha uma carreira em construção para ser estagiário do primeiro projeto de extensão da Faculdade, o POICE, lançado pelos Professores Geraldo Matos Guedes, Fátima Pinho e Ruy Paulo Klassmann. Um projeto que me possibilitou a prática, o conhecimento aplicado, o envolvimento com o desenvolvimento econômico regional. Possibilitou-me contribuir de maneira efetiva, a partir dos resultados gerados, para que a FADEC fosse beneficiada com a doação pela Sociedade de Cooperação Técnica Alemã – GTZ de um veículo Toyota, fundamental para a continuidade das atividades da Extensão. Época em que meus vínculos com a academia foram consolidados de vez.

Fecho minha graduação em 22/12/1989, data muito especial. Dia do aniversário de minha mãe. Na colação de grau, uma surpresa: sou agraciado com uma placa de reconhecimento que me é entregue pelo Professor Paulo César Gonçalves de Almeida, então Diretor da FADEC, por ter sido o melhor aluno do curso durante os cinco anos da graduação. Um presente que traz um legado: ser profissionalmente melhor do que consegui ser enquanto aluno.

Com o diploma na mão, agora era conseguir emprego e, como economista, provavelmente teria que ser fora, pois Montes Claros não apresentava demanda na época.

Mais uma vez o destino muda o rumo e recebo no início do ano de 1990 o convite do Professor Afonso Maia para substituí-lo como Professor de Contabilidade Social nas aulas de dependência que àquela época, ocorriam aos sábados à tarde. Convite aceito. Passo a integrar o quadro de professores do Departamento de Economia da FADEC.

Aprendiz de feiticeiro, um ano depois recebo do ex-professor e agora colega Geraldo Guedes o convite para substituí-lo na disciplina de Introdução à Economia, dado que o mesmo iria alçar voos em Coimbra, Portugal, em busca de um Mestrado.

Minha entrada para o quadro de Professores do Departamento de Economia ocorre em momento ímpar: o da estadualização da antiga FUNM, que agora passa a ser UNIMONTES, sob a batuta do então Reitor Professor José Geraldo de Freitas Drumond.

Recebo novo desafio e o vínculo com a Universidade aumenta: sou convidado pelo Professor Ruy Paulo Klassmann, então Diretor de Administração e Finanças – cargo embrião da atual Pró-Reitoria de Planejamento, Gestão e Finanças, para constituir uma equipe de elaboração de projetos, para captação de recursos dado que naquele momento, era fundamental o investimento para a Universidade.

Vou para a Reitoria e ao chegar me deparo com uma situação que hoje quando me relembro, chega a ser cômica: a Universidade só possuía um único computador, um PC 286, onde era processada a folha de pagamento e, portanto, ficava sob a guarda do Departamento Pessoal. E veio o impasse: como elaborar projetos sem poder utilizar um processador de textos e uma planilha eletrônica?

Impossibilitado de avançar em função da falta do equipamento, resolvo escrever algumas considerações de como percebia a necessidade e de como deveria ser a existência de um Centro de Processamento de Dados – CPD em uma instituição de ensino. Àquela época, a conhecida TI de hoje era localizada nos famosos CPDs.

Apresento o documento ao Professor Rui Klassmann e alguns dias depois sou chamado ao Gabinete do nosso Magnífico Reitor; que me esperava com minhas considerações sobre sua mesa. Pensei comigo mesmo: “fiz besteira, perdi o emprego”.

Sabatinado em relação aos motivos que me levaram a escrever o documento, o Professor José Geraldo acaba descobrindo que eu já havia trabalhado em uma empresa que atuava na área de desenvolvimento de sistemas gerenciais, como analista de suporte, à época de minha graduação e me nomeia Coordenador da Divisão de Informática pro tempore da UNIMONTES.

Quando questiono a nomeação para a coordenação de uma unidade que não existia, ele repassa o desafio de sua completa estruturação. E nos próximos 3 anos, passo a me dedicar à estruturação do setor com aquisição de equipamentos, recrutamento de pessoal técnico e estruturação física. Quantas vezes, junto com o saudoso Onofre, nosso eletricista, vinha ao campus aos finais de semana ajudar a abrir valetas para estruturação de aterramentos dado que nossa rede elétrica à época era muito instável e queimava os equipamentos.

Não contente, o Professor José Geraldo ainda me nomeia presidente da Comissão Permanente de Licitações, em substituição ao saudoso Professor Antônio Jorge; que junto com o Professor Noraldino Rocha, membro da comissão, me possibilitam outro grande aprendizado.

Estruturada a informática, era hora de deixar a Reitoria. Mas continuo como professor do Departamento de Economia onde além das disciplinas normais da graduação, também passo por quase três anos, a coordenar o Índice de Preços ao Consumidor – IPC, responsável pelo cálculo do índice de inflação da cidade de Montes Claros, em substituição ao Professor Jair Rocha.

Anos mais tarde, passo também pela Coordenação de Monografia do Departamento.

Passados 28 anos, novo desafio me faz sair do dia-a-dia da sala de aula e dos projetos ao qual estava vinculado. Recebo em dezembro de 2018 mais do que um convite, uma convocação. É chegada a hora de tentar retribuir à Universidade tudo que ela me proporcionou em minha formação enquanto cidadão, professor, profissional da Economia.

Sou convidado pelo Magnífico Reitor Prof. Antônio Alvimar Souza e pela Vice-reitora Professora Ilva Ruas de Abreu, minha professora de macroeconomia e atual colega de Departamento, para compor sua Equipe à frente da Pró-Reitoria de Planejamento, Gestão e Finanças iniciando um novo mandato. Posição desafiadora que me exigiu e exige a todo instante, colocar a minha experiência pessoal e profissional a serviço de um dos principais cargos da gestão de uma Universidade que é uma Pró-Reitoria.

Fecho este breve depoimento externando minha gratidão por todos que me possibilitaram a convivência, o trabalho conjunto, os desafios, os avanços e percalços em toda esta jornada. Em especial às pessoas aqui nominadas, meus mestres nesta construção.

Se não fossem estes 31 anos bem vividos na UNIMONTES, minha vida hoje não seria a mesma. Se me perguntarem se faria tudo de novo, com certeza faria. Mas só se for na UNIMONTES!

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