Depoimentos

Depoimento da servidora Cléo Dias

Quem é Cléo Dias? Nasci na pequena Claro dos Poções, lugar de gente feliz e acolhedora, de onde saí em 1969 em busca de melhorar meus estudos. Morando em Montes Claros,ingressei na Escola Estadual Clóvis Salgado onde cursei o ensino fundamental e depois no Colégio Dulce Sarmento onde fiz o ensino médio, época em que conheci o saudoso Dr. José Nunes Mourão, advogado renomado e professor da Faculdade de Direito do Norte de Minas – FADIR/FUNM, que procurava uma secretária para seu escritório, sendo eu a escolhida para ocupar o cargo, era o ano de 1975 e ali nasceu uma relação de amizade baseada na admiração e respeito, e por coincidência nascidos no mesmo dia 02 de agosto.

O Dr. Mourão, então Diretor da Faculdade de Direito – FADIR , mas uma vez precisava de uma funcionária  para a Secretaria da Faculdade, me disse: “estou com  coração partido, mas quero o melhor pra você. Vou te levar para trabalhar na Faculdade, você terá Carteira assinada e um ótimo salário”, assim nascia meu amor por esta Instituição.

Pois bem, carteira assinada no dia 01 de janeiro de 1978, pela Presidente Professora Heloisa Helena de Ruiz Combat Vieira, salário inicial de C$ 1.265.00 (um duzentos e sessenta e cinco cruzeiros) muito dinheiro para uma moça. Assim, feliz e orgulhosa, comecei a minha jornada na Rua Coronel Celestino 75, antigo Casarão, para trabalhar na Secretaria da Faculdade de Direito da Fundação Norte Mineira /FUNM, o que me faltava de experiência, sobrava em boa vontade, dedicação e determinação.

O Professor José Nunes Mourão, sofre um acidente na construção do Prédio do casarão, onde funcionava também a Faculdade de Filosofia, sendo substituído pelo vice- Diretor,  Professor Eduardo Machado Tupynambá, qu permaneceu no cargo até fim do mandato.

Eleito como Diretor, o Professor Augusto José Vieira Filho, que com seu jeito inovador e destemido providenciou a mudança para o hoje Campus Universitário. Nesta época, o Professor Raimundo Rodrigues Avelar era o presidente da Fundação Norte Mineira – FUNM, que alocou o Curso de Direito no mesmo prédio do Curso de Medicina.

Foram dias difíceis, houve muita resistência e oposição para aceitação de um novo curso no prédio da Faculdade de Medicina. Trabalhávamos ao lado da Reitoria, o coração da Universidade, com grandes nomes como Cleonice Souto, dona Terezita, Luizim, Greice, Assunção, Marina Queiroz e tantos outros. Sem esquecer-me da nossa eterna tia Mara, sempre tinha um chá e a todos benzia contra mal olhado e quebranto. 

O campus era uma fazenda, com vacas, cavalos, aves e outros animais. Quando chovia era difícil chegar até o prédio, lama demais, o capim crescido cobria o caminho que mal chegava carro, sem avenida de acesso, sem iluminação, muita poeira.

Como esquecer Geraldo doido, morava debaixo da caixa de água, no fundo do prédio, assustava a todos nos corredores, mas que era incapaz de fazer mal a uma mosca.

Havia também uma casa com um pomar enorme onde morava seu Adelziro e família, servidor da Faculdade de Medicina – FAMED, cuidava dos animais e zelava pela fazendinha. A beira do córrego que existia no fundo do Campus moravam outras pessoas como seu Tião Moleza, um querido e animado, que acabou sendo contratado pela FUNM.

Não esqueço do Dr. Augustão, como era carinhosamente  conhecido e temido, pelo seu jeito franco e grande como  gigante. Chegava em seu Dogge amarelo, e de longe o avistávamos e já falávamos rindo: “lá vem a banheira de Augustão”.  Ele nem sonhava isso que caçoávamos dele, mas com o coração na mão, pois ele era bravo e era silêncio total quando sentava na sua sala. Dias de alegrias e glórias na Secretaria da FADIR, eu trabalhava com o secretário, Raul Ribeiro Guimarães, bravo, sisudo, e de poucas falas.

O clube que existia no fundo do prédio virou o barzinho KaetGut, alegria dos estudantes, onde hoje funciona a FADENOR. Foram anos vindos e indos na poeira, correndo das vacas soltas no caminho, a noite só as luzes dos faróis dos carros, ou da Lua e estrelas iluminavam nosso caminho.

As lembranças dos momentos cômicos e divertidos estão registradas na minha memoria, como no dia em que o Dr. Hélio Oscar Vale Moreira estacionou seu fusca perto do barranco, e o carro despencou barranco abaixo. Horas depois sai o Dr. Hélio desesperado perguntando “cadê meu fusca, roubaram!”; Nada, o carro estava lá em baixo. Teve ainda, aluno brigando com a namorada arrancou som do carro jogou longe, no outro dia achamos o aparelho no meio do capim.

Tantas pessoas passeiam na minha lembrança, como “seu” Luiz da anatomia, pessoa inesquecível para todos, morador do campus por muito tempo e que tão carinhosamente cuidava dos cadáveres.

O Curso de Direito era anual e só no turno da noite. Todo serviço era feito a mão, em livros de atas onde se registrava desde o vestibular até a ata final de colação de grau, processos de diplomas montados e enviados para registro na UFMG. Usávamos papel almaço para fazer os mapas de notas, só muito tempo depois chegou a maquina de datilografia, um luxo para quem sabia datilografar, lembro quando chegou uma maquina elétrica IBM, coisa de primeiro mundo para aquela época, as provas eram datilografadas em stencil, depois rodada em mimeografo a álcool, depois chegou um mais moderno a tinta, imaginem a sujeira, mas eram melhorias.

E as aulas de oratória do professor Simeão Ribeiro Pires no salão nobre da Faculdade de Medicina um show de sabedoria e cultura, aulas de dependências também.

Em 01 de agosto de 1989 passei a exercer o cargo de datilografa, já em01 de março de 1990 fui promovida a Agente Administrativo II e em 02 de agosto de 2004 passei para o Cargo de Auxiliar Administrativo na já estadualizada Universidade Estadual de Montes Claros. Nossas irmãs FADEC E FAFIL foram também instaladas no campus, era progresso chegando.

Tive o prazer de auxiliar vários Diretores do Curso de Diretores, os professores Georgino Jorge de Souza, Álvaro de Azevedo Avila, Ronald Couto, Arnaldo Benicio Atahyde Dias,  José Antônio Batista de Castro, Sebastião José Vieira Filho, que considero um filho e um pai,  Paulo César Mendes Barbosa e  Maria Ângela de Figueiredo Braga atualmente na Direção do CCSA, outra companheira no 02 de agosto.

Os profissionais que vi entrando meninos e aqui se formando e depois assumindo a Direção de Centro, outros se tornando exímios professores, coordenadores, pró Reitores e Reitor como professor Paulo Cesar de Almeida.

O Curso de Direito era particular, quem conseguia o crédito educativo era sortudo, tempos difíceis para muitos, as turmas eram formadas geralmente pelo pessoal mais vividos, por  assim dizer, bem diferente do público de hoje, muitos adolescentes recém saídos do ensino médio, com carinhas de anjos.

Quando o professor José Geraldo de Freitas Drumond, que lecionava a disciplina de Medicina Legal, candidatou-se e foi eleito presidente da FUNM começou a luta para a estadualização da FUNM, foram lutas e lutas, barreiras que Dr. José Geraldo teve que enfrentar. Lembro mais especificamente de debate entre o saudoso Dr. Sidney Chaves e o jovem Antônio Augusto Anastasia, salão nobre do Curso de Medicina, discordância profissional e respeitosa de dois entendedores das leis e do Direito Administrativo.

Na sei precisar a data, mas lembro-me de uma ligação que atendi, do então deputado Milton Cruz, dizendo que falar com professor José Geraldo, eu gentilmente fui até a sala e avisei ao professor e ele pediu licença a turma e se ausentou para receber a noticia da aprovação da Estadualização da FUNM.

Em 1990 foi criada a Universidade de Montes Claros, UNIMONTES, uma vitória para toda comunidade acadêmica e sociedade em geral. Minha carteira de trabalho foi carimbada em 01 de agosto de 1999, mudando o regime de para Estatutário do Estado de Minas Gerais, assinada por Maria das Graças Alencar Athayde Dias e começou a trajetória de funcionária pública, depois de um concurso para efetivação dos servidores que já contava com mais de 10 anos de FUNM.

Professor José Geraldo de Freitas Drumond eleito primeiro Reitor da Universidade Estadual de Montes Claros, exerceu o mandado por oito anos, sendo sempre bem assessorados com seus pro reitores, chefe de gabinete e outros que compunham a direção superior, com organograma novo, tudo mudado, veio  a criação dos centros, dentre os outros setores e diretorias., secretaria geral, biblioteca central.

De 1978 até hoje, sempre trabalhei na Faculdade de Direito da FUNM e agora passava a exercer a função a na coordenação do Curso de Direito do Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Em 1999 fui promovida com uma Função Gratificada FG2, reconhecimento que recebi do Reitor José Geraldo de  Freitas Drumond e vice Reitor Professor Paulo Cesar de Almeida.

Professor Paulo César foi reitor por dois mandatos da nossa gloriosa UNIMONTES, pessoa que admiro, respeito, tenho gratidão, e que prestou relevantes serviços e benefícios para todos nós, nada passava despercebido aos seus olhos, sabia de tudo e via tudo, um sábio e influente nos meios políticos que muito trabalhou para o crescimento da nossa UNIMONTES, franco ao extremo , mas o coração gigante. Fui exercer nova função na Biblioteca Central, com o nomeado Diretor José Otavio Braga Lima, pessoa que muito me ensinou, acolheu em todos os momentos que precisei, já estávamos entrando na modernização da informática e foi com ele que começamos a aprender ligar um computador e entrar no mundo da modernidade virtual, mandar e-mail era coisa de primeiro mundo. E assim a cada dia modernizava mais, depois com novas mudanças passei a trabalhar na Diretoria de documentação e Informações, com novo Diretor Guilliano Vieira Mota, outra pessoa a quem estimo muito, um pai para todos que o procuravam. Neste período fui solicitado pelo Diretor do Curso de Direito, Professor Sebastião José Vieira filho para dar um suporte na Coordenação do Curso de Direito, devido afastamento da professora Lúcia Teixeira de Souza, fiquei então prestando serviço de  três horas na Coordenação do meu amado Curso e cinco horas na DDI, motivo que gerou desconfiança para um ou uma covarde, que fez uma denúncia junto ao Ministério Público de que eu supostamente trabalhava no Curso de Direito, processo arquivado diante de tanta mentira, um anônimo.

Antes de voltar em definitivo para a Coordenação do Curso de Direito, tive ainda a graça de trabalhar com o professor Huagner Cardoso Lopes, Diretor da DDI.

Em 2011 tive a grata surpresa de ser indicada para receber a Medalha da Inconfidência Mineira, nem acreditei, pensei que foi nome errado, endereço errado, mas era eu mesma Maria Cleonice Dias da Silva, indicada pelo querido Reitor João dos Reis Canela, reitor por dois mandatos, respeitado médico e educador, que deixou sua história e seu nome nessa Instituição e sua equipe, destaco aqui Denise Lima de Oliveira, que junto também veio a progressão para FG5, foi um dos maiores orgulho da minha vida receber a maior comenda do Estado de Minas Gerais.

Durante estes anos dedicados à UNIMONTES,  recebi várias homenagens de turmas, falta  espaço para enumerar  quantas, placas de vinte e cinco anos, medalha dos 40 anos e agora escrevo minha história de 44 anos. Aqui minha segunda casa, aqui nessa casa, estudaram duas das minhas filhas, uma formada de Agronomia, e hoje servidora da Secretaria Estadual do meio Ambiente, Fiscal Ambiental, outra formada em Direito e hoje na Secretaria Estadual de Segurança Pública, Policia Civil de Minas Gerais,  todas estagiaram aqui, e Luciana por 15 anos foi servidora da FADENOR, só tenho gratidão por essa Instituição, a Flávia Mariana formou em outra Instituição em Enfermagem, mas também foi estagiária da Imprensa Universitária como as outras, hoje enfermeira no meu querido Aroldo Tourinho.

Foram anos de glórias, de vitórias, de tristezas, angustias, dores, mas nada apaga o que sinto por essa casa,  a palavra gratidão estará sempre gravada no coração e na alma. Hoje os tempos são modernos, tudo online, tudo de primeiro mundo, Unimontes conhecida internacionalmente, elogiada por todas as regiões brasileiras, destaques em todos as ciências, ex-alunos que brilham no cenário nacional e mundial, professores renomados, campis avançados em por várias cidades, prestação de serviços de alto nível em várias áreas, vários cursos de Graduação, Pós Graduação, Doutorado, intercambio internacional com diversos países. E nosso atual Reitor, padre Antonio Alvimar de Souza, meu querido, a humildade em pessoa, que conheci no Barrio Cintra, hoje um Doutor, um sábio de alma e coração, nos fortalece sempre com a palavra ânimo e coragem.

Ainda na Coordenação do Curso de Direito, casa que me acolheu desde 1978, me orgulho de ter trabalhado na Direção dos competentes professores Georgino Jorge de Souza, Álvaro de Azevedo Avila, José Antonio Batista de Castro, Arnaldo Benicio Athayde Dias, Ronald Couto, Sebastião José Vieira Filho, Paulo Cesar Mendes Barbosa e hoje minha amada Maria Angela de Figueiredo Braga, ainda vejo meus filhos de coração como a professora Rita Edite Lopes Borges, uma menina que acompanhei desde o primeiro ano de direito, mestre e advogada por excelência, minha amiga, que tanto me acolheu nas defesas jurídicas e como no ombro amigo, coordenadora de uma eficiência invejável, levarei por toda vida. 

O meu querido coordenador Professor Luiz Alberto Mendes Dias, um sapeca que menino começou o curso. Um coração que fica bravo por pouco tempo, franco e sincero, amigo e companheiro de longos anos, jamais esquecerei suas brincadeiras, como você refere a essa viúva, seu amor por minhas filhas e meu amor pelos seus que ajudei olhar vez ou outra, estará sempre em meu coração.

Sei que minha passagem está chegando ao fim, mas minha lembrança será eterna, pois mais da metade da minha vida foi construída com você querida UNIMONTES, tudo que aprendi foi aqui, belos ensinamentos, grandes amigos, grandes colegas de longos anos, minha colega, amiga e afilhada Helionete, colegas que se tornaram verdadeiros irmãos do  coração,  meus advogados lindos  e  queridos que defenderam minhas   causas e dos amigos que tanto pedi no meu querido SAJ, Diretores e professores de outros Centros que tive o prazer de conhecer e conviver, Secretários, que destaco minha amiga e companheira de longos anos Maria José Vieira Rocha  e outros que passaram por lá. Jamais esquecerei os anos vividos aqui, morando mais aqui que em minha casa, mas tudo valeu a pena e faria tudo de novo. Meu muito obrigada de coração minha, linda, querida, amada Unimontes.

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